A capoeira na escola

A capoeira tem lugar no universo escolar em Portugal

A capoeira é uma grande ferramenta educacional, devido à sua abrangência no âmbito da pedagogia, ao contribuir para a formação das capacidades motoras, sociais, cognitivas e afetivas, resistência, agilidade, flexibilidade, velocidade, equilíbrio, coordenação, visão,  e ritmo são dimensões trabalhadas por esta arte marcial.

Para o aluno estar num grupo, executando brincadeiras e jogos, proporciona ainda segurança e capacidade para desenvolver um ritmo e um estilo próprio.

E reforça a comunicação e a integração entre todos os tipos de personalidades, desde as mais expansivas às mais tímidas.

Não é por acaso, que a capoeira é tema de investigações científicas está presente em universidades, escolas,  infantários e projetos sociais. Tudo na capoeira é adaptável que permitem desenvolver as habilidades dos alunos com muita criatividade.

Colégio Dona Maria II Apoia a Capoeira

Tem um completo e diversificado programa de atividades extracurriculares de frequência anual, assim como algumas atividades especiais dedicadas a cada época festiva do ano.

Colégio-Dona-Maria II

No Colégio Dona Maria II as atividades extracurriculares são essenciais ao crescimento de qualquer criança, fomentando capacidades e competências importantes, tais como o desenvolvimento da auto estima e autoconfiança, capacidade de se relacionar com os seus pares e de trabalhar em equipa, ao mesmo tempo que o incentiva à prática de atividade física ou ao desenvolvimento dos seus talentos naturais!

Em 2019 a capoeira faz parte do programa de  atividade extracurricular com a capoeira.

O aspecto lúdico destas atividades extracurriculares captam a atenção da criança e ajudam, ainda, à melhoria do seu rendimento escolar já que a ajuda a dedicar- se a uma atividade de que gosta podendo, assim, relaxar das obrigações escolares.

No Polo D.Maria II é novo espaço que tem por base de funcionamento um centro de apoio ao estudo, tal como um centro de atividades, cultura, desporto e lazer.

Além disso, a capoeira permite um trabalho com base em conhecimentos, estruturação, planeamento e constante avaliação, certamente, uma ferramenta para o educador.

A capoeira é uma arte do passado, presente e futuro e cada dia conquista mais espaço em todo mundo.

 

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Vários mestres transformaram a capoeira e ainda hoje são fonte de inspiração

Destacamos Manoel dos Reis Machado

Também conhecido como Mestre Bimba (1899, Salvador — 1974, Goiânia), começou a jogar capoeira aos 12 anos, ainda que, à época, esta luta marcial fosse interdita e os seus praticantes perseguidos.

Trabalhador numa mina de carvão, carpinteiro, funcionário de armazém, estivador e condutor de charretes, aos 18 anos, começou a sentir que a capoeira já não era um instrumento de luta e resistência, mas uma manifestação folclórica com um reduzido número de golpes.

Dedicou-se, então, a recuperar movimentos antigos e adicionou-lhes outros de uma segunda luta africana: o batuque.

Ao mesmo tempo, desenvolvia o seu próprio repertório. Nascia, aos poucos, um estilo designado por “luta regional bahiana”, mais tarde batizado como “capoeira regional”. A capoeira continuava proibida até que, em 1937, o Mestre Bimba.

Mestre Bimba
Mestre Bimba

Sequência de Bimba método de ensino para treino

Apresentou perante o presidente Getúlio Vargas, que acabou por permitir a prática da “única luta verdadeiramente nacional”. Mas, se Bimba é o nome maior da capoeira regional.

Baixe a Sequência de Bimba  PDF

Destacamos Vicente Ferreira Pastinha, ou o Mestre Pastinha

 Grande referência da capoeira Angola,  iniciou a prática aos 8 anos, diz a lenda que para defender-se de outra criança maior e mais forte que o agredia. Décadas mais tarde, em 1941, foi a uma roda de capoeira onde só lutavam mestres e foi convidado para aprender Angola. 

No ano seguinte, fundou a primeira escola de capoeira Angola na Bahia

No final da sua vida, Pastinha e a academia passaram tempos difíceis. 

Velho, doente e quase cego, foi instado pelo governador do estado a esvaziar o edifício para que fosse renovado, mas o imóvel nunca lhe foi devolvido, e Pastinha morreu pouco depois.

Esses grandes Mestres deixaram esse grande legado que hoje é fonte de inspiração para os capoeiristas e as gerações futuras dos praticantes dessa arte marcial brasileira.

 

Ancestralidade Capoeira Angola Passado Presente e Futuro

O Culto Ancestral É Enraizado Profundamente Na Capoeira Angola

A capoeira Angola não tem uma data definida em que teria sido criada, nem uma pessoa a quem possamos atribuir com certeza a sua criação.  Manifestação da cultura popular brasileira onde coexistem aspectos normalmente compreendidos de forma segmentada pela cultura que se fez oficial, como o jogo, a dança, a mímica, a luta e a ancestralidade, unidos de forma coesa, simples e sintética. Possui suas origens em elementos da cultura de várias matizes de povos africanos que foram escravizados e mantidos em cativeiro no Brasil.

 A Capoeira Angola No Fio Da Navalha

Documentário que aborda a capoeira angola, suas origens e a interação dessa cultura em um grupo inserido na comunidade da Sacadura Cabral em Santo André, São Paulo.

O berimbau instrumento magnífico um elemento típico da capoeira

Como o berimbau se tornou um elemento típico da capoeira na história

O berimbau e um  dos primeiros instrumentos usados pelo homem para produzir sons, há quase 20 mil anos, nada mais é que um modelo de arco.

A grande dúvida dos estudiosos, até hoje sem resposta, é se foi o arco usado para atirar flechas que deu origem ao arco musical, tataravô do berimbau ou se ocorreu o contrário. Seja como for, o instrumento ganhou a forma que tem hoje entre as antigas tribos nativas africanas que também se transformou em uma ferramenta de trabalho para todos os capoeiristas.

Em termos culturais na África, ele marca presença como acompanhamento musical de rituais fúnebres e religiosos. Em grande parte do continente africano  também é conhecido por m’bolumbumba e utilizados entre os quimbundos, ovambos, nyanekas, humbis e khoisan no sul de Moçambique, tem o nome de xitende.

No Brasil, também é conhecido por berimbau, UrucungoHungo,  OricungoUricungo  entre outros nomes.

Os historiadores  calcula que ele teria chegado ao Brasil já em 1538, junto com os primeiros escravos. 

Foi usado, no século XIX, por escravos recém-libertados para atrair compradores para os doces que vendiam nas ruas que também passou a ser identificado como elemento típico da capoeira.

Veja algumas características do berimbau

  • O berimbau é um instrumento de uma corda de origem africana é capaz de emitir várias sonoridades.
  • É constituído por uma vara em arco, de madeira ou verga, com um comprimento aproximado de 1,50 metros a 1,70 metros e um fio de aço (arame) preso nas extremidades da vara.
  • Na sua base, é amarrada uma cabaça com o fundo cortado que funciona como caixa de ressonância.

O berimbau é um elemento fundamental na capoeira, sendo reverenciado pelos capoeiristas antes de iniciarem um jogo.

Na capoeira, os três berimbaus podem ser tocados conjuntamente, cada um com uma função  definida.  As  variações dos toques têm nomes específicos .

Os toques  mais comuns na roda de capoeira são “Angola” e “São Bento Grande , Benguela e Iúna”.

Característica do berimbau gunga médio e viola

São usados três berimbaus:

Um Gunga – Berimbau de cabaça grande e som grave, cuja função é marcar o toque base de todos os instrumentos , além de coordenar o ritmo de jogo dos capoeiristas.

Um Médio – Berimbau de cabaça de tamanho médio , pouco menor que a do Gunga . Produz som médio grave e tem a função de marcar , tocando o inverso do toque do Gunga.

 Um Viola – Berimbau de cabaça menor, produz som agudo e tem a função de solo e improviso.

Afinações dos berimbaus

A afinação de cada  berimbau na capoeira é definida.

O berimbau é um instrumento microtónal, e pode ser afinado na mesma altura, variando apenas no timbre.

A nota baixa do médio é afinada com a nota alta do gunga, o mesmo se procedendo em relação ao viola para com o médio.

  • Altura: agudo, médio, grave
  • Intensidade: forte, fraco
  • Duração: longo, curto

Timbre: é a característica de cada som, o que nos faz diferenciar as vozes e os instrumentos.

Os Conceitos 

Som: são as vibrações audíveis e regulares de corpos elásticos, que se repetem com a mesma velocidade, como as do pêndulo do relógio. As vibrações irregulares são denominadas ruído.

Ritmo: é o efeito que se origina da duração de diferentes sons, longos ou curtos.

Melodia: é a sucessão rítmica e bem ordenada dos sons.

Harmonia: é a combinação simultânea, melódica e harmoniosa dos sons.

Aprender a tocar esse instrumento com certeza vai fazer  grandes benefícios  para você com o tempo

Aprendizagens psicomotora corporal , Noção da Lateralidade, de dominância com o instrumento.

A orientação temporal dos toques.
Exercícios motores com o instrumento, trabalhar coordenação motora e equilíbrio estático e dinâmico, percepção rítmica.
Coordenar toque e canto, toque e palma, toque e contra toque.

Físico: oferece atividades capazes de promover o alívio de tensões devidas à instabilidade emocional e fadiga;

Psíquico: promovendo processos de expressão, comunicação e descarga emocional através do estímulo musical e sonoro;

Mental: proporcionando situações que possam contribuir para estimular e desenvolver o sentido da ordem, harmonia, organização e compreensão.

Berimbau é um instrumento fenomenal e magnífico.

“O tocador de berimbau e um artista; o teu som que encanta povos faz acender a alma dos guerreiros que vivenciaram um dia nas suas lutas e cultura que marcaram  as história”.

 

 

O Mestre de capoeira ensina ”Waldemar do Pero Vaz”

Mestre Waldemar Rodrigues da Paixão revela grandes histórias do seu tempo

Mais conhecido como Mestre Waldemar, Waldemar da Liberdade ou Waldemar do Pero Vaz, sim é ele mesmo o grande capoeirista e cantador.

O mestre Waldemar começa na década de 1940, onde ele implanta um barracão na invasão do Corta-Braço, futuro bairro da Liberdade, todos os domingos ele jogava capoeira e  também ensinava na rampa do mercado na cidade baixa.

Durante a década de 1950, a capoeira dele na Liberdade atrai acadêmicos, artistas e jornalistas. Em 1955  Anthony Leeds , Simone Dreyfus  gravam o som dos berimbaus. O escultor Mário Cravo e o pintor Carybé, também capoeiristas, frequentam o barracão.

Mais tarde, a maior parte dos renomados capoeiristas afirmam ter grande influência na capoeira de Waldemar. A fabricação de berimbaus  era  uma fonte de renda do mestre Waldemar que vendia para os turistas do mundo inteiro que visitava a Bahia.

Muito simples e nunca procurou a fama e, apesar de seu notado talento de cantor e de tocador de berimbau. A música que se escuta nas gravações de 1951 e 1955 é coletiva, sempre tendo, ao menos, um dialogo de dois berimbaus.

Velho e impossibilitado de jogar capoeira e de tocar berimbau pela doença de Parkinson, Waldemar ainda aproveitou um pouco do movimento de resgate das tradições dos anos 1980, cantando em diversas ocasiões e gravando CD com Mestre Canjiquinha.

Nesse vídeo  M.Negoativo entrevista Mestre Waldemar da Liberdade em 1987, uma verdadeira relíquia reveladora! 

Livros de capoeira para melhorar e ampliar os conhecimentos dos capoeiristas

Sabe qual é o instrumento para a concretização do conhecimento? é a leitura

Ler e compreender a pluralidade das informações nos contextos do mundo da capoeira, isso que nos motiva aprendizagem ao longo da vida esportiva como capoeirista.

É importante ler de tudo um pouco sobre os mais variados temas e conhecer as mais loucas histórias. Quem lê terá mais oportunidades e visão para realizar projetos de vida e com a capoeira também, principalmente aquelas pessoas que tem a capoeira como filosófia no dia a dia.

Nunca é tarde para começar a ler um bom livro deixamos aqui alguns livros para você começar bem em 2019.

Clique na imagem para saber mais informações!

Brincado com a capoeira tem como ideia envolver os pais, tios avós toda família que está sempre presente com a criança nas aulas de capoeira.
Ensina de forma lúdica e pedagógica com o objetivo de fazer com que as crianças aprenda capoeira de forma simples e divertida.

Icone da cultura popular baiana, o herói capoeirista Besouro ganha voz neste romance, contando os casos e histórias que o tornaram famoso.

A Capoeira vem conquistando espaço nos mais variados segmentos da sociedade. Academias, clubes, escolas, cinema, teatro, telenovelas e até igrejas têm encontrado na Capoeira características e elementos idôneos para atender às suas respectivas necessidades.

 

 

 

 

 

De prática marginal a patrimônio imaterial da cultura brasileira, a capoeira percorreu um longo caminho até os dias atuais.

Capoeira Angola – do iniciante ao mestre da sequência ao trabalho começado por Mestre Bola Sete com a publicação de Capoeira Angola na Bahia, também editado pela palhas.

Mestre Bimba, mestre lendário da capoeiragem, é retratado como um vitorioso na medida em que conseguiu driblar uma corrente social dominante, contrária a prática da capoeira.

A capoeira, expressão de luta do povo negro e uma arma para a saída das senzalas, no período da escravidão, e os capoeiristas, discriminados e perseguidos, são abordados com um olhar crítico, a partir de lembranças e estudos do autor sobre Mestre Bimba e sua academia.

A Coleção Capoeira Viva é composta por livros histórico-etnográficos adaptados de pesquisas acadêmicas, geralmente esquecidas nos arquivos universitários.

O título reúne textos publicados entre 2009 e 2013 na internet, nos quais são discutidos diversos temas relacionados ao universo da capoeira.

No processo de nacionalização da capoeira baiana, o convívio entre capoeiristas e membros de uma elite intelectual deu forma a uma produção intensa de sentidos sobre a capoeira, como um fluxo circular. Carybé, amigo de Jorge Amado, se dedicava às amizades com capoeiristas e praticava nas rodas junto com estes.

Por esse amor fazem da arte capoeira, uma maneira inteligente de praticar o lazer, o esporte, o respeito e cultivar a saúde, a felicidade, as amizades além de assegurar a nossa linda e rica tradição de cultura popular.

Boa leitura!